"...depostas as roupas seculares, deem-lhe três túnicas e um manto. (...) Nenhuma receba o véu durante o tempo da provação" (RgSCl - Cap. II).
O uso da túnica (Hábito) é uma maneira exterior de declarar a separação definitiva do mundo, também vida em pobreza e a conversão total a Deus (vida de penitência). Clara se serve deste sinal exterior para manifestar seu amor a Jesus pobre, limitando a quantidade e preferindo uma forma simples.
A vivência da fraternidade entre as Irmãs, na sua originalidade, não admite distinção quanto ao material, a cor das vestes ou do véu, seja a candidata de origem nobre ou não, no 'serviço do Senhor' todas são iguai. O tecido barato também é uma renúncia à vaidade e à ostentação.
O uso da 'cordinha' (cíngulo) na cintura também é um sinal externo de uma vida de penitência (busca comprometida da vontade de Deus). O amor esponsal de Santa Clara pelo Cristo que se fez pobrezinho do presépio até a nudez da cruz se manifesta no seu modo de vestir.
Preocupada em não se deixar afastar, por nada, do seu Altíssimo Rei, escolhe para si e suas Irmãs tudo o que o mundo considera desprezível, imitando, interna e externamente, a humildade e a simplicidade de Jesus e da Virgem Maria.
Já no seu Testamento Santa Clara evidencia o quanto lhe é cara a inspiração recebida de viver o desapego das coisas terrenas: "No Senhor Jesus Cristo, aconselho e admoesto a todas as minhas Irmãs, presentes e futuras, que sempre se empenhem em seguir o caminho da santa simplicidade,
da humildade, da póbreza e também uma vida honesta e santa, como aprendemos de Cristo e de nosso bem-aventurado pai Francisco desde o início de nossa conversão" (TestCl).
Deixa essa opção, que é parte do seu carisma, bem especificada em sua Forma de Vida (Regra), pois em tudo (do modo de vestir ao de se portar) a pobreza deve ser manifesta como sinal de seguimento do Cristo pobre:
"E, por amor do santíssimo e diletíssimo Menino deitado no presépio envolto em panos pobrezinhos e de sua santíssima Mãe, admoesto, peço e exorto minhas Irmãs a se vestirem sempre de roupas vis" (RgSCl - Cap. II).
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| Vista lateral do Mosteiro de São Damião (Assis/Itália) |
Extremamente vigilante na vivência dos valores evangélicos, Clara de tudo se utiliza para revelar seu amor a Jesus e, assim como São Francisco, manifesta externamente, nas vestes, toda a reverência e fidelidade que traz em seu interior, não faz uso apenas das palavras.
Permite transbordar, também através dos pequenos detalhes: roupa, alimentação, modo de tratar as pessoas que a procuram para receber sua bênção e seus conselhos, as Irmãs externas e as enfermas, uma ânsia de conformação contínua com o Amado.
Atualizada em 04/02/2026


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