Beata Lourença Longo

Clarissas Capuchinhas e a fundadora Beata M. Lourença Longo
Algumas Irmãs das comunidades brasileiras

"Um tantinho de fé me salvou" (Beata Maria Lourença Longo)

   Uma mulher movida pela fé, assim podemos definir Maria Longo. Quando precisa ir para Nápoles em razão do trabalho do esposo João Longo, em 1506, acompanhando o rei Fernando, o Católico, teme por sua saúde, pois sofre de paralisia nas mãos e pés.

   Em razão de um envenenamento por parte de uma criada, Longo quer cumprir sua obrigação de esposa, se fazendo presente na vida do marido porém resiste em decidir sozinha,  humilde quer saber qual a vontade de Deus para a sua vida, pois conhece as dificuldades da viagem. 

  Insegura se deve ir ou ficar na Catalunha busca aconselhamento junto a seu Confessor, ambos rezam e o mesmo lhe aconselha a buscar a opinião de um eremita, ao qual ela desconhece; o santo homem manda então dizer-lhe que vá com o seu esposo.

   O eremita assegura que Deus a conduzirá para a cura, e profetiza que Ele a usará naquele lugar. Mesmo muitos tentando dissuadi-la, temerosos por sua debilidade fisica, certa de estar cumprindo a vontade divina, Longo parte para a Itália com a família.

   Poucos anos depois da sua chegada em Nápoles fica viúva. Em 1510 sente-se inspirada a ir a Santa Casa de Loreto para pedir a graça da cura. Dada sua condição física, tem uma difícil viagem, mas durante a audição da proclamação do Evangelho naquele lugar sente-se tocada pela graça.

    Durante a Santa Missa celebrada por um sacerdote que se apresentara sem que ninguém soubesse sua procedência, recupera-se milagrosamente: a paralisia desaparece, torna-se novamente saudável. Retorna disposta a retribuir a graça.

  De volta a Nápoles ingressa na Ordem Terceira de São Francisco e por tão grande bênção recebida decide servir aos necessitados e, em reconhecimento da graça recebida em Loreto, adota o nome "Lourença"; e dedica-se aos doentes, dividindo seu tempo entre a família, a caridade e a oração.

   Logo seu nome se torna conhecido em toda a cidade, pois mesmo sendo de condição social elevada se faz serva dos enfermos, cuidando-lhes do corpo e da alma; os atendendo em todas as suas necessidades materiais e espirituais, fazendo as vezes de enfermeira, cuidadora e administradora.

   Em 1519, junto com Hector Vernazza, influente napolitano, dada a grande necessidade dos enfermos pobres que eram abandonados pelas ruas da cidade, funda com seus próprios bens o hospital de "Santa Maria do Povo" conhecido como "Hospital dos Incuráveis".

  A instituição abre suas portas para os mais carentes de amparo do físico e da alma: doentes de sífilis, doentes terminais e mulheres sem recuros, principalmente as advindas da prostituição, e também para gestantes pobres, que não tinham qualquer atendimento de amparo à saúde.

   Acolhe a todos como se fossem o próprio Cristo, criando um ambiente hospitalar de profunda espiritualidade e caridade. Todos os internados sentem-se envolvidos pela graça, no hospital se preza pelo profundo silêncio em respeito aos que sofrem e aos que morrem.

   Pelos falecidos Lourença Longo cria a tradição do sufrágio para o descanso eterno, em que todos interrompem seus trabalhos para orar assim que se tem um falecimento e isso desperta e alimenta a fé em muitos enfermos. Sentem-se verdadeiramente amados.
 
Hospital dos Incuráveis fundado pela Beata Maria Lourença Longo
O Hospital dos Incuráveis está em plena atividade (Nápoles /Itália).

   Em 1535, por inspiração divina, Maria Lourença dá início ao mosteiro de "Santa Maria em Jerusalém", assumindo a Forma de Vida (Regra) de Santa Clara a quem quer seguir com fidelidade, com contribuições das Constituições de Santa Coleta e dos Frades Menores Capuchinhos. 

   É a realização do seu profundo desejo de reavivar o carisma clariano voltando à sua originalidade; os mosteiros de Nápoles estavam muito distantes disso, pois muitas jovens eram feitas Irmãs obrigadas pelas famílias por questão de dote, chamadas Irmãs de Apresentação. 

   A consequência dessa prática são mosteiros populosos, mas com jovens sem vocação, que professam a Regra de Santa Clara mas não a observam, ingressam  levando consigo suas empregadas, e muitas saem normalmente sem respeitar o voto de clausura.

  Mantendo seu antigos costumes, os mosteiros tem ares de hotel ou requintadas pousadas, as jovens participam de festas sociais e do convívio familiar, renunciando a qualquer sacrifício quanto ao recolhimento e a vida de pobreza. Daí o anseio de Lourença Longo de voltar às origens.   

 O papa Paulo III aprovou sua fundação em 1538 reconhecendo como um "mosteiro da mais estrita observância da Ordem de Santa Clara", daí a denominação de 'Ordem das Clarissas Capuchinhas'. Mulheres com o ardente desejo de servir ao Cristo pobre e crucifaicdo.

  A madre Lourença distinguiu-se por sua vida de intensa oração, pessoal e comum. Logo após a fundação do mosteiro sua enfermidade voltou, então fazia-se carregar para poder participar dos momentos de oração comunitária. Sempre exortando as Irmãs a crescerem na fé.

Oração para a intercessão da Beata Maria Lourença Longo

   Atenta as suas limitações físicas em decorrência da pouca saúde e também pelo avanço de sua idade, usou da boa notariedade de seu nome e reputação para organizar e aprovar seus bons desejos, junto a Santa Sé, para sua Ordem a pouco reconhecida.

   Queria os Teatinos para assistência espiritual das Irmãs, pois orientava e era orientada por São Caetano de Thiene, mas diante da impossibilidade destes, e pelo conselho do mesmo, escolheu os Capuchinhos. Eles haviam sido acolhidos por ela em Nápoles.

  Por gratidão prestavam assistência espiritual no Hospital dos Incuráveis, onde foram recebidos na fase de turbulência no início da sua Reforma. Também eles deram resposta negativa ao seu pedido, sendo para isso amparados pela Regra Bulada de São Francisco.

   Mesmo assim o Pontífice acolheu a súplica da Beata e cedendo aos seus argumentos os designou assistentes espirituais das Capuchinhas. Os Frades receberam tal incumbência contrariados, mas tiverem de obedecer ao Papa, uma vez que este é autoridade máxima da Igreja.

   Pouco depois, Maria Lourença, vendo aproximar-se o momento de sua partida, reúne todas as Irmãs em torno de si exorta-as a crescer sempre mais na fé e no amor, e mostrando-lhes a ponta do dedo mínimo diz: "Um tantinho de fé assim, me salvou"

    Falece em outubro de 1539, aos 76 anos de idade, em odor de santidade, deixando um testemunho de fé que transformou a vida de muitos e que ainda hoje se faz presente na Ordem que fundou e também no Hospital dos Incuráveis que permanece ativo em Nápoles (Itália).  

Relíquia da Beata Maria Lourença Longo  

     De fé operante a Beata Lourença é um grande exemplo de como devemos viver nossa religiosidade, soube alimentar-se e fortalecer-se através da oração, da escuta e vivência da  Palavra de Deus e da Eucaristia, não se deixou limitar por suas debilidades físicas 

  Mulher forte e sábia que colocou seus bens e dons a serviço do próximo, e se fez um eficaz instrumento da misericórdia do Senhor, confiando sempre na sua Providência: "Irmãs, vós pensais que eu fiz muitas obras boas. Mas eu não confio em nada de mim mesma, mas toda no Senhor!".

   Seu testemunho nos revela quão importante é saber restituir a Deus, assim como nos ensina São Francisco e Santa Clara, todos os bens que Dele recebemos. Sem guardar ressentimentos das pessoas que nos são obstáculos no caminho.

  Agraciada com a graça da cura em Loreto, Lourença Longo, por sua audaz caridade para com os pobres, especialmente as mulheres levadas (por diversas motivações) à vida de prostituição, devolveu a dignidade a todas que ansiavam uma mudança de vida, retirando-as dos prostíbulos e das ruas. 


Atualizada em 17/03/2026



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