Floreira marca local do jardim de Santa Clara no mosteiro de São Damião /Assis
Toda alegria espiritual é fruto da ação do Espírito Santo na alma, é graça em quem encontrou-se com o amor divino e se deixou envolver por ele. Não tem relação com coisas materiais ou acontecimentos externos.
Acontece de dentro para fora. A pessoa que sabe-se amada por Deus e corresponde ao Seu amor vive esse estado de júbilo que nada tem a ver com o contexto em que vive, pelo contrário, geralmente o contradiz.
A alegria em Santa Clara está intimamente relacionada com a sua experiência mística, que na Idade Média se compreende como a antecipação do gozo celeste vivido na realidade terrestre, é trazer à terra o que se viverá plenamente no Céu.
Clara alegra-se, primeiramente, com o dom da sua vocação, que lhe permite estar no santo serviço; um presente divino que lhe concede viver em total despojamento, colocando-se aos cuidados amorosos do Pai do Céu, sem preocupar-se com o dia de amanhã.
Rejubila-se com Inês de Praga, por semelhante escolha: "Que troca mais louvável: deixar as coisas temporais pelas eternas, merecer os bens celestes em vez dos terrestres e possuir a vida feliz para sempre!" (1CtIn).
Com uma vida austera por livre escolha (jejum e privação dos bens para partilha com os necessitados), Clara opta por agradar a Deus e não aos homens. Criada num ambiente de cavaleiros conhece o valor dos ideais de vida e mostra-se irredutível quanto a mudar o seu.
Segundo consta em seu Processo de Canonização, Santa Clara "rezava com muitas lágrimas, mas com as Irmãs demonstrava uma alegria espiritual. Nunca estava perturbada. Instruía as Irmãs com muita mansidão e benevolência, mas, quando era necessário, não deixava de repreendê-las" (ProcC9Ts).
Determinada, não se impõe limites, pois compreende que no Eterno está a verdadeira alegria e a plenitude ansiada por todo o ser humano; totalmente entregue as coisas que não são efêmeras, nem perecíveis, desfruta o gozo que nada pode abalar ou destruir.
Quando se está em união com Cristo o mundano é secundário e torna-se mesmo desprezível. Essa sua via Clara a trilha com profunda generosidade e elevada sabedoria. "Eu me alegro de verdade, e ninguém vai poder roubar-me essa alegria" (3CtIn).
Na certeza das núpcias eternas com o Rei dos reis a Santa transpõe qualquer obstáculo imposto pelo tempo ou pelo mundo, e se faz missionária do Reino com seu estilo de vida. E aconselha sua amiga e Irmã de Ordem, Inês, a fazer o mesmo, sem apegar-se a nada:
"faça o que está fazendo e não o deixe, mas, em rápida corrida, com passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, confiante e alegre, avance com cuidado pelo caminho da bem-aventurança" (2CtIn).
Atualizada em 29/07/2026

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