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| Manequim de cera que conserva a arcada dentária da santa (Mosteiro Città di Castello) |
Movida por um amor que a impelia a não só aceitar humilhações e sofrimentos, mas também a pedi-los, Verônica recebeu - como São Francisco de Assis - os estigmas do Senhor. Em 1693, na idade de 33 anos, recebeu a coroa de espinhos, o que lhe provocou dores de cabeça fortíssimas; três anos depois foi ferida no lado.
"Jesus é tão apaixonado por nossas almas que faz delas o seu trono onde vem descansar, alocar e pode-se dizer de uma alma amorosa: "Esta é o templo da Santíssima Trindade". A santa, sempre com discrição, tudo fazia para esconder os favores místicos que recebia de seu Amado.
Mas em 1697 sua união mística com Cristo foi consumada com o recebimento das chagas nas mãos, nos pés e no peito, e tal graça não lhe foi possível ocultar. Atormentada pelo demônio e sob suspeita em sua comunidade foi denunciada ao Santo Ofício.
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| Cela (quarto) de Santa Verônica. Onde recebeu os estigmas. |
Imediatamente foi submetida as mais duras provas para a certificação de que a procedência desses fenômenos era divina. Foi testada em sua sanidade, em sua humildade e em sua fé. Mas em tudo isso evidenciava sua nobreza de alma e sua fiel intimidade com Jesus.
Santa Verônica foi destituída do cargo de mestra das noviças e recebeu obediência de não sair da sua cela (quarto) e ficar incomunicável por cinquenta dias. A santa tudo acolheu com bom ânimo, mantendo a paz de espírito e o equilíbrio mental.
O próprio Jesus já lhe avisara com antecedência que ela passaria por grandes provações. Assim, já estava preparada para todo o sofrimento que teria de enfrentar com serenidade. Vencido o tempo da prova o Bispo reconheceu o caráter sobrenatural de tais fenômenos.
A pedido da Madre lhe foi devolvida não só a liberdade como também o direito de votar e assumir funções na comunidade. E, em 1716, foi eleita abadessa e, nos últimos onze anos de sua vida manteve-se nesse cargo, sempre com grandes provações, dores e extraordinárias consolações.
Em Jesus Eucarístico estava sua força, mesmo quando combatida por suas co-Irmãs, não se deixou confundir pelas insídias do Maligno. "Quem participa da Missa devotamente adquire forças para resistir a todas as tentações do demônio, do mundo e da carne".
Sua elevada espiritualidade sempre se manifestava no modo simples, humilde e fraterno de agir, ajudando sua comunidade em todos os trabalhos, ignorando suas debilidades físicas, em razão dos estigmas, pesadas mortificações e penitências.
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| Tecidos usados por Santa Verônica para cobrir suas chagas |
Por obediência ao seu confessor, à noite e com dificuldade, relatou as suas altíssimas experiências místicas num Diário Espiritual de vinte e duas mil páginas, que sendo queimado em boa parte pelo demônio, reescreveu com o auxílio de Nossa Senhora.
"Não encontro alimento mais substancial do que fazer a vontade de Deus". Em um período de sua vida Santa Verônica fez um jejum extraordinário em que, orientada por Jesus, se alimentou somente com a Eucaristia, vomitando o mínimo de pão e água que ingeria por obediência ao seu confessor.
Até que o mesmo compreendeu que a ordem era divina, pois o Pão da Vida lhe sustentava e lhe dava bem estar. Enquanto até pequenos goles de água lhe provocavam vômitos intensos, que prejudicavam seu estômago lhe davam grande abatimento físico.
Amando o sofrimento para reparar o Crucificado e salvar os pecadores parecia infatigável, buscava cruzes com destemor, em todos os momentos. Enfrentou corajosamente os ataques do Inimigo, doando-se inteiramente na vivência de sua vocação.
Sempre desejosa de crescer em perfeição para corresponder ao imenso amor divino, preparou-se para as núpcias eternas com Cristo, às quais foi chamada em 09 de julho de 1727. Foi canonizada em 1839 pelo Papa Gregório XVI. "Encontrei o Amor! Digam a todos que encontrei o Amor!"





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