Gruta do claustro do Mosteiro Nossa Senhora do Brasil (Flores da cunha/RS)
Nas cartas que escreveu a Inês de Praga, Santa Clara sempre aponta Maria Santíssima como o modelo perfeito de pureza de coração e de castidade, no corpo e na alma, para todas que querem seguir o Senhor com autenticidade.
Um perfeito exemplo de pequenez, de minoridade, de despojamento e de confiança na sabedoria e na misericórdiade de Deus. Denomina-a de “gloriosa Virgem das virgens” que se fez em tudo semelhante ao “Filho do Altíssimo”.
Em seu Testamento e Forma de Vida (Regra), ao exortar as Irmãs para a boa vivência de sua vocação, pede que se siga, por amor ao “Senhor Pai”, “a pobreza e a humildade do seu Filho dileto e da Virgem, sua gloriosa Mãe”.
A jovem de Nazaré é a primeira e mais fiel discípula de Jesus e vive em perfeita comunhão com Ele, uma vez que se abandona inteiramente à vontade divina. Acolhe, sem duvidar, seus desígnios de amor para a salvação humana.
Clara
quer que suas Irmãs e filhas façam também de Maria um espelho, cujo reflexo
irradia a fecundidade da vida escondida em Deus, num silêncio sempre criativo, que está constantemente a serviço do Reino.
Uma entrega que se dá na simplicidade, seja ocupando-se das tarefas cotidianas, seja nos momentos de oração (pessoal ou comunitário), sem deixar-se prender aos obstáculos que o tempo e o século impõem.
Assemelhar seu coração ao da Virgem Santa é sempre guardar e meditar os mandamentos do Senhor, tendo atenção aos sinais da ação divina no dia a dia, olhando os acontecimentos pelos olhos da fé.
E assim permitir-se gerar o Cristo para o mundo, e dar um testemunho de vida com fé, disponibilidade e humildade, assumindo sua missão na obediência, até o fim, com perseverança e em alegre fidelidade.
A Virgem Santíssima nos ensina a transpor as dificuldades vividas, não se deixando perturbar com aquilo que nos parece incompreensível, mas sempre crescendo na pobreza, que resulta num abandono confiante misericórdia de Deus.
Sem apegos a própria vontade, dando um justo valor às necessidades temporais, acolhendo fazer da fé um farol seguro para vencer as nebulosidades da vida, deixando-se guiar pelo Santo Espírito.
A fé cristã é um caminho exigente, por nos solicitar uma contínua morte às nossas más inclinações humanas, para que que assim vivamos a graça de uma também contínua ressurreição.
Caminho de graças mas com renúncias e provações. Sigamos o conselho de Santa Clara em seu Testamento: "Tomemos cuidado, portanto, para que, se entramos pelo caminho do Senhor, de maneira alguma nos afastemos dele
em algum tempo por nossa culpa e ignorância, para não ofendermos a tão grande Senhor, a sua Virgem Mãe, a nosso bem-aventurado pai São Francisco, à Igreja triunfante e mesmo à militante" (TestCl).
Atualizada em 30/07/2026

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